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Entrevista com o professor José Carlos Arthur Júnior - Viveiros florestais


Os viveiros florestais são os locais onde são cultivadas as mudas de árvores de espécies florestais. Eles são uns dos pontos iniciais para atividades como o reflorestamento, por exemplo, pois é onde acontece toda a “mágica” da produção de uma muda, desde preparo do substrato, a semeadura da semente, a repicagem, até a época em que a muda alcança um estágio onde estará pronta para o plantio. Não existe ninguém melhor para falar sobre o assunto do que um profissional já experiente, por isso o professor José Carlos Arthur Júnior foi chamado para a entrevista! Atualmente, o professor Arthur leciona na UFRRJ, no instituto de florestas. Acompanhe a seguir a entrevista:




Professor José Carlos Arthur Júnior




Entrevistador: Como foi sua formação acadêmica?

Arthur: Iniciei minha graduação em Engenharia Florestal na Universidade Federal de Viçosa no ano de 2000, no entanto transferi para a ESALQ/USP em Piracicaba/SP no ano de 2002, finalizando o curso em agosto de 2005. Em agosto de 2006 iniciei minha pós-graduação também na ESALQ/USP no Programa de Pós-graduação em Recursos Florestais. Durante o curso transferi de mestrado para doutorado direto, e em maio de 2011 realizei minha defesa de tese. Atuei profissionalmente no Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) de agosto de 2006 a novembro de 2015. Sou professor da UFRRJ no DS/IF desde dezembro de 2015.


E: Por que você escolheu a área de silvicultura para atuar?

A: Quando ingressei no curso tinha maior interesse pela área de conservação, no entanto, ao cursar as disciplinas da área de silvicultura me identifiquei, realizei estágio e iniciação científica, e tive certeza da área escolhida. Além disso, o estado de São Paulo possui grande área com plantações florestais comerciais, o que se torna atrativo para a atuação profissional.


E: Atualmente, qual a importância dos viveiros florestais?

A: O viveiro florestal sempre foi um elo muito importante na cadeia da silvicultura, pois a muda é o principal insumo para os plantios florestais, sejam eles de restauração ou com finalidade comercial. Todo o manejo realizado durante a fase de produção da muda implicará na sua qualidade, e consequentemente na sua capacidade de sobreviver e crescer no campo, e isso poderá reduzir os custos e aumentar produtividade.


E: Quais podem ser as finalidades das mudas produzidas em um viveiro florestal?

A: Podem ser diversas. O viveiro pode produzir mudas de espécies nativas de determinado bioma com o objetivo de restaurar uma área degradada ou uma área de preservação permanente ou reserva legal. Pode produzir espécies florestais exóticas com o objetivo de realizar plantios com finalidade econômica, por exemplo, eucalipto, pinus, teca, cedo australiano, mogno africano, entre outras. Também é possível produzir mudas para arborização de vias públicas, as quais podem ser de espécies nativas ou exóticas, no entanto como portes maiores em função da sua finalidade. Outras finalidades possíveis para um viveiro pode ser a produção de mudas para distribuição para população, para receber material vegetal para período de quarentena, etc.


E: O êxito na formação de florestas, por exemplo, depende também da qualidade das mudas, certo? O que é considerado uma muda com uma boa qualidade?

A: Exatamente, a qualidade da muda é fundamental para que a mesma obtenha sobrevivência e crescimento no local de plantio, resultando em economia e produtividade. O conceito de qualidade é algo relativo e às vezes subjetivo, e até hoje na literatura sobre produção de mudas não há consenso entre os autores. A qualidade também depende da finalidade do uso dessa muda, por exemplo uma muda para arborização tem um padrão de qualidade desejável totalmente diferente de uma muda para restauração de áreas degradadas. Na prática uma muda de qualidade é aquela que apresenta uma altura de parte aérea mínima, de acordo com seu uso, um diâmetro do coleto mínimo e lignificado (resistente), com boa área foliar, isentas de pragas e de doenças e de plantas daninhas, e sem deficiência nutricional. Mas de nada adiantará medir a qualidade dessa muda no viveiro e atestar que a mesma a possui, se ela não sobreviver no campo.


E: Quais são as dificuldades de se manter um viveiro?

A: Em um viveiro muitas atividades da produção de mudas são realizadas de forma manual, dessa forma, há necessidade de ter vários trabalhadores. Então é muito importante ter uma equipe treinada e estimulada para se obter uma boa produção de mudas.


E: Qual a importância econômica de um viveiro?

A: O viveiro florestal pode ser um empreendimento lucrativo, no entanto, se faz necessário um bom estudo de mercado para escolher o local de implantação e ter principalmente clientes próximos. Além disso, a muda é um insumo no processo de implantação florestal, então ter mudas com qualidade e preços competitivos são muito importantes para o negócio florestal, que é de médio a longo prazo.


E: Você tem algum conselho ou dica para alguém que queira começar a trabalhar com viveiros ou na área de silvicultura, de modo geral?

A: Minha orientação, principalmente para os estudantes, é realizar estágios na área. O exercício do conhecimento teórico obtido na universidade, quando aplicado no Âmbito profissional, durante o estágio, lhe dará a certeza, ou não, da escolha da área de atuação. A UFRRJ dispõe de um viveiro florestal e durante a disciplina IF241 – Viveiros Florestais (obrigatória para o curso de engenharia florestal), os estudantes têm a oportunidade de vivenciar na teoria e na prática o processo de produção de mudas de espécies florestais. Havendo interesse é um local para e desenvolver e aprimorar o conhecimento visando sua atuação profissional. Se o interesse é adquirir experiência em silvicultura, principalmente a comercial, minha orientação é buscar um estágio em outros estados com empreendimentos florestais, como por exemplo, nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, etc. Mas para isso, o estudante deve se planejar, deixar no mínimo um semestre livre de disciplinas para que possa residir por um tempo fora. Essa experiência além de agregar muito na formação profissional do estudante, pode também resultar numa oferta de trabalho. Isso felizmente vem acontecendo com alguns estudantes da UFRRJ e esperamos que se torne cada vez mais comum.


Primeiramente, agradecemos ao professor Arthur pelo tempo disponibilizado para a entrevista. É sempre bom poder aprender mais sobre um assunto com alguém que entende bastante sobre o mesmo. Espero que, com a entrevista tenha ficado mais claro a importância de um viveiro florestal e o porquê deles serem tão essenciais para a engenharia florestal!

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