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Entrevista com o Engenheiro Florestal Alexandre – Recuperação de Áreas Degradadas


As pesquisas sobre recuperação de áreas degradadas são voltadas para a recuperação da funcionalidade ambiental com base na seleção e na introdução de leguminosas arbóreas e arbustivas capazes de crescer sob condições adversas. O êxito dessa tecnologia está na associação entre planta, rizóbios e fungos micorrízicos.

Para falar um pouco mais sobre o assunto, fizemos uma entrevista com o Engenheiro Florestal, Alexander Silva de Resende, pesquisador da Embrapa Agrobiologia desde 2003, formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Acompanhe a seguir:


Entrevistador: Para você, qual a importância da sua área de atuação?

Alexandre: Não existe nenhuma área mais importante que outra. Adoro trabalhar com a recuperação de áreas degradadas. É muito bacana pegar um substrato, praticamente sem vida e ver brotar uma floresta, com plantas rasteiras, arbustivas, arbóreas, epífitas, fauna. O modelo de colonização humana, concentrado em cidades e “pegando comida na prateleira do supermercado”, gera muita degradação. O modelo de consumo, atrelado ao verbo “ter”, também gera muita degradação. Enquanto houver homem, haverá degradação e enquanto houver degradação, haverá trabalho nessa área. Recuperar essa degradação é importante para que consigamos nos manter aqui.


E: Quais as principais técnicas realizadas?

A: Na recuperação de áreas degradadas não existe receita de bolo. Temos que trabalhar fazendo uso prático de muitos conceitos vistos em sala de aula, e isso requer estar com a mente sempre aberta para ouvir opiniões diferentes, de profissionais diferentes e só decidir depois de conversar muito. São muitos modelos propostos, mas o foco de nossa equipe de trabalho sempre foi o de utilizar plantas da família das leguminosas, inoculadas com bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos na recuperação de áreas degradadas. Sempre trabalhamos para recuperar funções do ambiente e não exatamente a composição botânica da floresta existente na área ao lado. Depois de quase 30 anos trabalhando assim, a ciência agora aceita mais esse modelo e o chama de “modelo de plantio com espécies estruturantes”. É o modelo que sempre fizemos e que agora vem ganhando muitos adeptos, que por sua vez vêm propondo diversos aperfeiçoamentos ao modelo inicial. Respeitar as características da paisagem e utilizar espécies de grande plasticidade ambiental são a chave de sucesso desse modelo.


E: Quais os entraves e perspectivas para o desenvolvimento dessa área de atuação?

A: Num país desenvolvido, toda degradação é seguida de ações para sua prevenção ou recuperação. Quanto mais desenvolvidos formos, vamos trabalhar mais com prevenção e ter cada vez menos áreas degradadas. Mas isso não significa que o trabalho vai diminuir, pelo contrário.


E: Por fim, o pesquisador Alexander Resende, gostaria de deixar uma mensagem para toda a população:

A: Na área ambiental é comum ouvirmos que trabalhamos para deixar “um mundo melhor para nossos filhos”, mas lamento informar para vocês que o máximo que conseguirão é deixar “filhos melhores para o mundo...” E é essa a mensagem que quero deixar, faça a sua parte. Se todos fizerem o que lhe cabe, a consequência disso será a melhoria global. Vejo muita gente dizendo que não coleta lixo separado em casa por que o caminhão da prefeitura junta tudo. Já viu quantos catadores existem nas ruas de Seropédica? Chame um, diga que vai coletar lixo para ele e peça para ele passar um dia por semana em sua casa para pegar. Pronto, é um exemplo do que lhe cabe. Se todos fizermos isso, todos ganham. O catador, nós, o município, o meio ambiente. Não espere um super-herói vestido de político para resolver coisas que você mesmo pode fazer. Por mais que você queira acreditar nisso, super-heróis não existem... muito menos vestidos de políticos.

Agradecemos ao Alexandre para o tempo disponibilizado para a entrevista. Conclui-se que a recuperação de áreas degradadas está intimamente ligada à ciência da restauração ecológica, no qual é o processo de auxílio ao restabelecimento de um ecossistema que foi degradado, danificado ou destruído. A recuperação dessas áreas é de extrema importância, pois enquanto existir o homem haverá degradação, e para conseguirmos nos manter nesse ecossistema, precisamos preservar e recuperar o máximo possível.


Fiquem ligados no blog da Flora Júnior para outras entrevistas e dicas que serão postadas!

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